segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Conto do Eremita



Um jovem estava caminhando pela floresta em busca de "algo". Achou árvores, folhas, flores, animais, frutas…e por fim, uma clareira. No meio dela, uma fogueira acesa e alguém do outro lado. Estranhou muito a cena, principalmente por que a pessoa estava encapuzada e não fazia tanto frio assim. Resolveu aproximar-se de qualquer forma.

- Olá, filhote de humano… - soou uma voz rouca de dentro do capuz - O que procuras? Sente-se e aqueça-se, lhe fará bem.

- "Filhote de humano"? Eu não sou nenhum filhote, senhor. Os animais é que tem filhotes, os humanos tem crianças.
- E o que são os humanos além de outro tipo de animal e "crianças" além de outro nome para "filhotes"?

O jovem não conseguiu responder…mas lembrou-se de algumas histórias que lhe contaram antigamente.
- Senhor, o senhor é o tal eremita ao qual as pessoas vem fazer perguntas?
- Se dizem isso, talvez eu o seja para eles…talvez. Ao falar em perguntas, lhe farei três. Bem…tomando a sua pergunta como verdadeira, não é o que exatamente você está fazendo desde que chegou? Segundo, qual é a próxima pergunta? Terceiro, o que é uma pergunta?

O jovem não conseguiu responder, mas ficou algum tempo olhando a fogueira e refletindo sobre as perguntas do estranho ser encapuzado.
- Senhor…essa é uma situação bem…anormal.
- "Anormal"…no sentido de "fora do normal", filhote? No conceito dos cegos, sim. Acompanhe o seguinte raciocínio: vocês chamam de “normal” o padrão. Chamam de "padrão" o que é igual. Mas, o que é o "igual" se em algum nível todas as coisas tem alguma diferença? Se as coisas são diferentes em algum nível, não existe um padrão, logo não existe o "normal" e o "anormal". Esses tipos de conceitos são máscaras que vocês criam para conseguir aturar uns aos outros, já que não entendem a verdadeira natureza das coisas. E assim, vocês vivem em um eterno baile de máscaras.

O jovem foi embora pouco tempo depois. Não encontrou respostas, e sim perguntas, mas acabou encontrando "algo": a satisfação na insatisfação.


''De perto , todos nos somos anormais, que em sumo é algo normal.''

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